Acidente Vascular Cerebral

 


Acidente Vascular Cerebral (AVC)

Conhecido popularmente como derrame, esta doença ocorre pela falta de irrigação sanguínea focal ou global do cérebro. É uma das principais causas de morte na população adulta no Brasil e, dentro das doenças cardiovasculares é a primeira em mortalidade, ceifando mais vidas que o infarto do miocárdio.

No Brasil, é a principal causa de morte em adultos. Nos Estados Unidos da América, é responsável por 5% a 10% de todos os óbitos e é a terceira causa de morte.

Há um grande interesse pelo estudo, diagnóstico e tratamento da doença arterial obstrutiva carotídea (ver artéria carótida no glossário), já que aproximadamente 75% dos derrames tem nesta artéria a fonte de alterações do fluxo sangüíneo que levam ao Acidente Vascular Cerebral.

Tipos de AVC

De uma forma mais simples pode ser classificado em dois tipos:

1- Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI)

AVC - Tomografia e Ressonância magnética de crânio

Tomografia e Ressonância magnética de crânio mostrando área de isquemia cerebral

Ocorre por obstrução de um ou mais vasos sangüíneos que impede o fluxo do sangue para o tecido cerebral, causando a morte do tecido (infarto) cerebral na área afetada (veja foto). Os AVCs isquêmicos ainda podem ser causados por Trombose local do vaso – quando o vaso oclui na área onde há uma placa de ateroma (“placa de gordura”) Embolia – quando a placa se fragmenta jogando pedaços menores dela na circulação e que ocluirão outros vasos a distância ou mesmo quando coágulos vindos de outros locais da circulação, mais frequentemente o coração, vão ocluir artérias distantes (neste caso, no cérebro).

2- Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH)

Ocorre quando um ou mais vasos sanguíneos se rompem formando uma hemorragia cerebral.

Sintomas:

Ocorrem de acordo com o tipo do AVC e da ára do cérebro que foi mais afetada.

AVCs isquêmicos – habitualmente os sintomas são de aparecimento agudo mas a evolução é menos catastrófica. Podem ocorrer:

  • paralisia e/ou perda de sensibilidade de um lado do corpo (geralmente o lado oposto do lado afetado do cérebro)
  • repuxamento da boca e da face
  • dificuldade de articular palavras
  • tonturas ou perda de equílibrio com queda sem perda da consciência
  • outros sintomas de déficit neurológico variados (sonolência progressiva, inconsciência, coma, etc.)
  • distúrbios progressivos de memória quando ocorrerem pequenos derrames seqüenciais

AVCs hemorrágicos – sintomas de evolução mais rápida e catastrófica:

  1. cefaleia (dor de cabeça)
  2. vômitos
  3. perda da consciência e coma de evolução rápida
  4. paralisia e/ou perda de sensibilidade de um lado do corpo (geralmente o lado oposto do lado afetado do cérebro)
  5. repuxamento da boca e da face dificuldade de articular palavras
  6. parada respiratória

3- Ataque Isquêmico Transitório (AIT)

Esta entidade clínica ocorre pela mesma causa do acidente vascular isquêmico, porém resultam de pequenos êmbolos que causam sintomas neurológicos parecidos com o AVC isquêmico que duram até 24hs e que revertem completamente. Os AVCs deixam seqüelas variadas, dependentes da área e extensão afetada do cérebro, ao contrário do AIT que não deixam seqüelas. O AIT é um “aviso” que algo mais grave está para ocorrer e necessita de investigação para suas causas e eventual correção por intervenção.

Fatores de Risco

  • hipertensão arterial
  • dislipidemia (colesterol e/ou triglicerídeos elevados)
  • diabetes
  • histórico familiar
  • excesso de peso
  • ingestão abusiva de álcool
  • fumo
  • vida sedentária
  • estresse

Tratamento do AVC

Na grande maioria das vezes o tratamento é feito, na fase aguda, em hospitais e, muitos dos casos necessitam de internação em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) devido à gravidade dos sinais e sintomas.

Habitualmente são utilizadas medidas de suporte e manutenção da vida e de tratamento da causa subjacente (hipertensão, alterações da coagulação, hipercolesterolemia, etc.). Existem protocolos recentes que se valem da tentativa de restabelecer a circulação arterial obstruída nos casos de AVCI utilizando medicamentos que diluem os trombos e “desentupiriam” as artérias na fase aguda do AVCI. Mas infelizmente estes protocolos, apesar de promissores, necessitam uma infra-estrutura bastante avançada e necessitam que o paciente chegue a um hospital nas primeiras horas após o início do quadro clínico e tenha o AVCI confirmado com tomografia e ainda se submeta a uma arteriografia (cateterismo) para identificar o vaso obstruído e tratá-lo com a medicação.

O cirurgião vascular tem meios de agir na prevenção secundária de um AVCI caso seja detectada uma placa na carótida (na região do pescoço) que pode ser retirada cirurgicamente ou pode sofrer uma angioplastia com colocação de stent, fazendo com que se reduza a chance de ocorrer o derrame.

O neurocirurgião pode tratar cirurgicamente os aneurismas dos vasos intracraneanos prevenindo o AVCH que ocorrem por rompimento destas diilatações arteriais, ou mesmo após o evento hemorrágico para prevenir novos epsódios.

Prevenção do AVC

Deve-se prevenir o AVC, assim como outras doenças cardiovasculares, evitando ou controlando os fatores de risco, principalmente a hipertensão arterial, hipercolesterolemia, obesidade e fumo.

Existem exames vasculares que podem ser realizados de forma não invasiva (sem ingestão de contrastes) que avalia as condições das artérias carótidas e vertebrais (as artérias que irrigam o cérebro) e pode detectar obstruções por placas nestas artérias.