As varizes voltam depois de tratadas?

Este artigo responde a uma pergunta feita por uma visitante do nosso website sobre tratamento de varizes: 

Tenho 30 anos e sofro com pequenos vasos na região da coxa e varizes na perna desde nova. O tratamento é cirúrgico ou medicamentoso? Após tratamento para varizes, com o passar do tempo, pode haver recidiva? Pois ouço muito falar que esses vasos voltam após um tempo e as varizes voltam também. Isso é mito ou verdade? Outra dúvida: com esse problema eu posso frequentar uma academia ou quem tem varizes não deve fazer exercício físico?

Prezada sra.,
A definição da forma e estratégia de tratamento do problema vascular venoso (varizes e vasinhos) necessita de avaliação presencial através de uma consulta médica com um angiologista/cirurgião vascular. Entretanto, posso esclarecer algumas dúvidas. A doença varicosa, a luz do conhecimento científico atual, não é curável mas controlável. Assim, o tratamento das veias, seja por aplicação de vasinhos ou por cirurgia tradicional ou cirurgia a LASER tem três objetivos básicos:

  1. Tratar as varizes que existem naquele momento;
  2. Evitar que aquelas que foram tratadas não piorassem e desencadeassem a formação de outras a partir delas;
  3. Evitar complicações graves como tromboflebite, dermatite e úlcera varicosa.

Como a causa primária da doença varicosa tem fundamento genético, o problema sempre existirá e o tratamento para varizes visa a prevenção secundária. Ou seja, já que o problema existe e não podemos evitar que tivesse aparecido, que evitemos que piore ou complique. O tratamento  deve ser diligente ao longo da vida.

Por que dizem então que varizes voltam?

Muitas pessoas desestimulam outras a tratar as varizes dizendo que o tratamento para varizes não surte efeito e porque as varizes voltam. Essa opinião tem que ser avaliada com muito cuidado e há algumas explicações:

Em algumas situações, o tratamento inicial pode não ter sido adequado porque não foi realizado por profissional habilitado e isso comprometerá o resultado inicial. Daí a importância de se tratar com o especialista vascular.

Veias reticulares - microvarizes

Veias reticulares – microvarizes alimentando os vasinhos

Uma situação que vivenciamos frequentemente no consultório é o tratamento incompleto. Por exemplo; o caso necessitava de cirurgia de varizes e foram realizadas somente aplicações. A paciente tinha veias reticulares (microvarizes) alimentando os vasinhos da coxa e foi realizado somente aplicação dos vasinhos. Ou seja, trata-se a consequência, mas o fator desencadeante local continua lá alimentando aqueles vasinhos na mesma área. É uma das causas mais frequentes de queixas das pacientes; os vasinhos voltam no mesmo lugar e, frequentemente isso ocorre por uma estratégia de tratamento mal elaborada.

Outras vezes o tratamento para varizes é interrompido porque a paciente se sente frustrada pela demora do resultado. Nessas condições, devemos lembrar que nem todos pacientes, vasinhos, varizes e médicos, são iguais. Não se pode comparar o resultado de tratamento de duas condições diferentes (apesar de parecidas). Algumas vezes um paciente necessita de uma abordagem mais simples enquanto outro (aparentemente parecido) necessita de um tratamento mais complexo (em termos de técnicas e passos de tratamento).

Outros fatores como gestações adicionais, proximidade da menopausa e hereditariedade também contribuirão para a piora da recidiva clínica.

Importância do diagnóstico vascular

Ainda podemos ter insucesso de tratamento devido a uma abordagem diagnóstica inadequada. Quando me formei vascular, tratar varizes significava tirar as duas veias safenas (isso mesmo, temos duas safenas em cada perna) e fazer cortes enormes. Não havia muito o que pensar à luz do conhecimento científico da época (lá se vão quase 30 anos). Hoje sabemos que a doença varicosa é muito mais complexa que imaginávamos e o bom tratamento necessita de um bom diagnóstico para um bom planejamento.

Fleboscópio e microvarizes

Fleboscópio transluminando uma microvariz

Graças à evolução da medicina vascular hoje temos métodos diagnósticos não invasivos que permitem uma avaliação bem mais detalhada das varizes. A fleboscopia é um deles. Pela iluminação da pele com uma lâmpada especial, conseguimos ver algumas microvarizes que alimentam os vasinhos.

Outro exame, o ultrassom-doppler vascular (ecodoppler vascular, duplex-scan) é a nossa maior ferramenta. Com esse exame podemos avaliar a forma e a função das veias. Portanto, se um diagnóstico da origem das varizes não é estabelecido (chamamos de pontos de refluxo – o local onde a veia se torna incompetente em drenar o sangue das pernas facilitando a formação das varizes), o resultado do tratamento fica comprometido.

Doppler venoso refluxo de safena magna

Refluxo na veia safena ao Doppler venoso

Exercício físico

Por último, com relação ao exercício físico, no geral tentemos a manter e estimular as atividades físicas, exceto quando a doença varicosa está complicada e em graus mais avançados. Nos casos em que os pacientes portadores de varizes já apresentam inchaço nas pernas, inflamações nas varizes, úlceras (feridas) vasculares ou mesmo alterações da coloração e textura da pele, deve ser evitada atividade física sem supervisão do angiologista e/ou cirurgião vascular.

Resposta final

As varizes voltam? Se forem bem investigadas e tratadas, não. O que acontece é o surgimento de outras varizes ao longo da vida.

Um recado final. A doença varicosa é complexa demais até mesmo para especialistas e por isso não pode ser tratada por outros que não angiologistas e/ou cirurgiões vasculares. Na página da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular é possível pesquisar por vasculares habilitados na sua região.

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Dr. Robson Barbosa de Miranda é Angiologista, Cirurgião e Ecografista Vascular
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